A história do Atelier Menon começa muito antes da sua fundação. Ela atravessa gerações — e tem suas raízes na Itália, em 1887, quando a família Menon chegou ao Brasil trazendo consigo não apenas seus pertences, mas também uma paixão que resistiria ao tempo: a relojoaria.
O patriarca, Emílio Menon, já tinha contato com os relógios suíços, símbolos de precisão e excelência. Anos depois, em 1910, ao nascimento de seu filho Laudemiro — meu avô —, ele marcou esse momento com um gesto que atravessaria gerações: presenteou o bebê com um relógio de bolso Omega original. Esse mesmo relógio permanece comigo até hoje, como um elo vivo com o passado.
Meu avô, carinhosamente chamado de Miro, cultivou ao longo da vida uma profunda admiração pelos relógios. Sua coleção reunia peças marcantes — dos clássicos suíços de corda a um tradicional relógio cuco, que recentemente tive a oportunidade de restaurar, além do primeiro relógio digital que vi na vida. Para ele, cada relógio carregava mais do que tempo: carregava história.
Essa paixão foi transmitida ao meu tio, também chamado Emílio, que deu um passo além: aprendeu a trabalhar com relógios. Ele ajustava, cuidava e mantinha vivos os relógios da família. Mas o que mais me marcava era sua bancada — o espaço onde ele desmontava e compreendia os mecanismos automáticos. Aquilo, para mim, era fascinante.
Após sua partida, herdei não apenas sua coleção, mas também o que realmente importa: o olhar atento, o respeito pela mecânica e o encantamento pelos relógios automáticos.
Dar vida a uma máquina que mede o tempo com precisão absoluta — sem depender de bateria, movida apenas pela engenharia e pelo movimento — continua sendo, até hoje, algo que me impressiona profundamente.
É dessa herança, dessa história e dessa paixão que nasce o Atelier Menon.